segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Economia em marcha lenta: endividamento atinge maior nível em 3 anos

O endividamento das famílias voltou a crescer e, segundo dados do Banco Central, alcançou o maior nível em três anos. A taxa de endividamento em relação à renda acumulada em 12 meses em maio subiu para 44,04%. Foi a sétima alta mensal consecutiva e o maior nível desde abril de 2016, quando atingiu 44,2%. De acordo com pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o percentual de famílias endividadas no país cresceu de 64% em junho para 64,1% em julho deste ano. Em julho de 2018, a taxa era de 59,6%.
A proporção das famílias que se declararam muito endividadas, consequentemente, também aumentou entre o mês passado e o anterior, de 13% para 13,3%. A parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 22,6% para 23,8%, e a pouco endividada, de 23,8% para 27%.
Rafael Carneiro, estudante, 22 anos, se endividou após ter um problema de saúde e ficar impossibilitado de trabalhar. “Eu moro sozinho e minha única fonte de renda vem da venda de doces,  mas eu tive dengue e fiquei parado por 21 dias, o que acabou comprometendo muito o meu orçamento. Como eu não tinha o dinheiro, fui passando todos os gastos no cartão, só que a cada mês que passava eu não conseguia pagar a fatura inteira e aí ficava sempre um resquício para o mês seguinte”, conta.
Fonte: Assis Silva

sábado, 10 de agosto de 2019

Vamos conversar!


Aos sábados, a partir das 20h00 ao vivo pelo Facebook, vamos conversar sobre temas de interesse da sociedade, como: programa jovem aprendiz, qualidade no atendimento, empreender é necessário e muito mais, não perca a estreia no dia 17/08 com o jovem Joel Dias, iremos conversar sobre a temática empreender é necessário. 

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

SEEC abre processo seletivo para professores e especialistas temporários



Hoje (7), a Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer do RN tornou pública a abertura de Processo Seletivo Simplificado para composição de cadastro de reserva para contratação de professor e especialistas de educação temporários. Esses profissionais terão contrato por tempo determinado com o objetivo de atender às eventuais necessidades existentes na Rede Estadual de Educação. As inscrições são realizadas, exclusivamente, pela internet, no portal do SIGEduc, até o próximo domingo (11).

O processo seletivo destina-se a selecionar candidatos para compor cadastro de reserva de professores e especialistas de educação dos componentes curriculares nos Ensinos Fundamental, Médio e suas modalidades de acordo com as seguintes opções: 1) Unidades Escolares – Base Comum, 2) Educação Profissional, 3) Educação do Campo (espaços escolares), 4) Educação do Campo (espaços não escolares), 5) Educação Escolar Quilombola, 6) Educação Escolar Indígena (espaço escolar), 7) Educação Escolar Indígena (espaços não escolares), além das opções 8) Unidades Prisionais, 9) Centros de Atendimento Socioeducativo e 10) Especialista de Educação, em conformidade com a legislação acima enunciada.

Esses educadores poderão ser contratados para atuar nas unidades escolares das 16 Diretorias Regionais de Educação e Cultura (DIREC) e no Sistema Prisional e Socioeducativo do RN. 

Os contratos terão vigência de até um ano, prorrogáveis por até 12 meses. O número de vagas para temporários não será previamente definido devido a variabilidade da demanda. A publicação de vagas com a respectiva convocação dos candidatos selecionados ocorrerá a posteriori, em qualquer data dentro da validade do processo seletivo. O edital tem validade de um ano, prorrogável por mais um, contando a partir da data de publicação. 

A remuneração do professor temporário, com nível superior será igual ao do professor graduado do quadro funcional do magistério público estadual em início da carreira, R$ 2.686,25 para uma jornada de trabalho com 30 horas semanais. Enquanto que a remuneração para o professor de nível médio, exclusivamente para os componentes/áreas de Ciências Agrárias e Língua Materna, será de R$ 1.918,75.

Os candidatos doadores de sangue, os que trabalharam na Justiça Eleitoral e as doadoras de leite materno, têm direito a isenção da taxa de inscrição, de R$ 35,00, mediante o cumprimento das normas estabelecidas no Edital. O resultado da isenção será conhecido no dia 13 de agosto. 

Os candidatos que concorrerem às vagas e forem portadores de necessidades especiais deverão declarar sua condição no ato de inscrição. O candidato que não realizar esta declaração perderá o direito de concorrer a tais vagas. O interessado deverá apresentar laudo médico com o código referente à Classificação Internacional de Doenças - CID no dia da entrega dos documentos à DIREC. 

Após a inscrição e pagamento da taxa ou deferimento da isenção, o candidato deve ir à sede da respectiva DIREC com os documentos exigidos no edital para que seja realizada a efetivação da inscrição. É imprescindível que toda a documentação seja entregue até o dia 14 de agosto, às 13h00. Será eliminado o candidato que não apresentar toda a documentação exigida. Os documentos, critérios de avaliação, recursos e prazos estão disponíveis no edital. 

Todos os atos oficiais relativos ao processo seletivo serão publicados no Diário Oficial do RN (www.diariooficial.rn.gov.br) e divulgados no portal da Secretaria de Educação do RN (www.educacao.rn.gov.br). O resultado preliminar do seletivo será publicado no dia 26 deste mês e, o resultado final, no dia 30.

Inscrições

O candidato deverá acessar o site do SIGEduc (www.sigeduc.rn.gov.br) e, seguir os seguintes passos: na tela inicial, clicar no item Outros, que consta no menu lateral esquerdo do site, em seguida clicar no item Concurso. O navegador carregará o local onde o candidato selecionará a opção a qual deseja se inscrever e preencherá a ficha de inscrição. A ficha de inscrição para o processo seletivo está disponível, exclusivamente na internet, até as 23h59 do dia 11 de agosto. 

Clique aqui e acesse a íntegra do edital publicado na edição do Diário Oficial do RN de hoje, 7 de agosto de 2019.

Clique aqui e acesse o portal do SIGEduc para realizar inscrição. O caminho para o acesso da página de inscrição é Página Inicial -> Outros -> Concurso.

Uma chacina deixa 04 mortos no distrito de Vila Israel, Touros/RN


Uma chacina foi registrada na noite desta quarta-feira(08) no distrito de Vila Israel, Touros/RN. As vítimas foram identificadas como J. L. A. de 20 anos, A. S. S. de 22 anos, J. M. S. S. de 14 anos e J. B. S. de 16 anos.

A população está assustada diante da situação da insegurança que clama por mais policiais na região.

Fonte: Touros Urgente com alterações.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Parabéns Rio Grande do Norte


Homenagem ao Junqueira Ayres (50 anos do Ginásio Comercial de Touros)



CINCO DÉCADAS TU FAZES DE EXISTÊNCIA
E HOJE EU SINTO EM TUA ESSÊNCIA EXALANDO
O PERFUME DO TEU TEMPO E TUA HISTÓRIA
E AQUELA BRISA QUE DO MAR DIZ SUSSURRANDO
HOJE É DIA DE EMOÇÃO, GLÓRIA E SAUDADE
PELO SONHO TRANSFORMADO EM REALIDADE
DE UM DESEJO TÃO SUBLIME DE ORLANDO.

FRUTO DA OUSADIA DO JOVEM MAGISTRADO
QUE SOUBE ABSORVER DESSE POVO SEUS CLAMORES
FOSTES A CHAMA ESCOLHIDA PARA ILUMINAR-NOS
E HÁ CINQUENTA ANOS NÓS COLHEMOS TUAS FLORES
SEJA NO JEITO DOCE DE ENSINAR DE DONA DJALMIRA
OU NA VOZ DE GASPAR FRANÇA QUE A TODOS INSPIRA
HÁ UM AMOR REFLETIDO NOS TEUS PROFESSORES.

AO LONGO DE TUA BREVE VIDA
RECEBESTES A TODOS SEM COBRAR FAVORES
DA JUVENTUDE DE TOUROS SEMPRE TÃO HUMILDE
FILHOS DESTES CAMPOS OU DE PESCADORES
TEUS PORTEIROS, ASG's, MERENDEIRAS
INCANSÁVEIS DE SEGUNDAS AS SEXTAS FEIRAS
MUITAS VEZES ESCONDENDO SUAS DORES.

JUNQUEIRA UM TEMPLO ADORADO
NOSSO POVO FELIZ QUIS VER-TE ASSIM
TUA GENTE TÃO MODESTA TE GUARDOU
DOOU SUOR, DEU SUAS LÁGRIMAS TUDO ENFIM
E NESTE ATO SINGELO E TÃO SIMPLÓRIO
NÃO PODEMOS ESQUECER PAULO TENÓRIO
NEM DO PREFEITO QUE FOI ZÉ JOAQUIM.

SIM, FOI DOUTOR ORLANDO E NOSSO POVO
QUE DEIXARAM NESTA ESCOLA GRANDE PARTE DE SUAS VIDAS
TOURENSES QUE CONSTRUÍRAM E CULTIVARAM ESSE JARDIM
ESCOLA JUNQUEIRA AYRES A CASA DAS EMOÇÕES CONTIDAS
E ONDE HOUVER UM EX ALUNO QUE FEZ PISOU NESTE TEU CHÃO
HÁ UM PEDAÇO DO JUNQUEIRA GUARDADO EM SEU CORAÇÃO
POIS VIBROU NA ALEGRIA E QUEM CHOROU NAS DESPEDIDAS.

FILHA MAIS VELHA DO ANTÔNIO DO LAGO
DOUTOR ORLANDO FOI SUA CABEÇA CALMA
TEUS PROFESSORES O TEU CORAÇÃO PULSANTE
OS FUNCIONÁRIOS UM CORPO PURO, SEM TRAUMA
TEU PASSADO É UM PRESENTE DE PURA REALIDADE
TEU FUTURO E TEU DESTINO SERÃO A ETERNIDADE
POIS TEUS ALUNOS SERÃO SEMPRE A TUA ALMA.

MEIO SÉCULO INTENSO DE VIVÊNCIAS
NOS LEVANDO AOS MAIS ALTOS PATAMARES
BERÇO AMIGO E FIEL DAS VÁRIAS GERAÇÕES
QUE ESPALHARAM ESPERANÇAS PELOS ARES
GINASIAL ESCOLA A QUEM CHAMO TESOURO
QUE HOJE CELEBRAS TEU JUBILEU DE OURO
NOSSO MUITO OBRIGADO A JUNQUEIRA AYRES.

Autor: Professor Flavinho Santos

Drogas, baladas e automutilação


Por Flavia Francellino
A auxiliar de classe Mislaine Dias Rodrigues, de 18 anos, começou a ingerir bebida alcoólica aos 13 anos, depois vieram as drogas. “Conheci as drogas por influência dos ‘amigos’. Usei maconha”, relata.

Existem pessoas que cortam a própria pele, diariamente, para esquecer os problemas. Parece loucura, mas a automutilação é uma “saída” que muitos encontram para se livrar do sofrimento.

No Brasil, não há dados específicos sobre o número de jovens que se automutilam. Mas, nos corredores de colégios e consultórios, porém, a sensação é de aumento dos casos.

Os objetos usados são diversos, como estiletes, cacos de vidro, agulhas, facas ou qualquer outro objeto cortante que esteja próximo. Eles ainda costumam se queimar ou se atirar contra a parede.

Entre os motivos para uma automutilação estão: brigas com familiares, problemas nas relações interpessoais, incluindo amizades, problemas escolares, ansiedade, depressão, ou sentimento de angústia, frustração, desespero, tensão, raiva e até autocrítica.

As consequências 

Os problemas não resolvidos e uma relação frustrada serviram como motivos para Mislaine se machucar e ela passou a se mutilar (comportamento caracterizado pelo ato intencional de autoagressão). “Esse era meu escape. A cada briga, a cada decepção, eu tinha um novo motivo para me cortar. Pessoas próximas me julgavam e diziam que eu agia assim para chamar atenção, o que se tornava razão para eu fazer isso de novo. Eu me sentia só”, diz.


Então, tudo começou a piorar. “Juntou tudo na minha cabeça. Eu não aguentava mais os problemas. Tinha insônia e pensava que a única solução fosse o suicídio.” Para se livrar dessa situação, ela precisou trocar de pensamentos. 
Fonte: universal.org

terça-feira, 6 de agosto de 2019

CPRE/RN realiza operação em Touros e João Câmara e apreende centenas de motos em situação irregular

Moradores da cidade de Touros foram surpreendidos na manhã deste domingo(4) e João Câmara neste segunda-feira(5) com uma operação do Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE) que dividido em equipes atuou os condutores e apreendeu um número expressivo de motos em situação irregular.
Nas abordagens foram constatados condutores com motos atrasadas, sem habilitação e sem o uso de capacetes.
Em João Câmara a operação recebeu críticas da classe política local no rádio e na sessão da Câmara nesta segunda-feira, não pela operação em si mas a forma um pouco truculenta como alguns policiais agiam.
Fonte: Blog de Assis

sábado, 3 de agosto de 2019

50 anos do Junqueira Ayres


Essa semana tive a oportunidade de conhecer melhor uma cidade incrível, que além da beleza natural evidente, possui uma história de muita solidariedade e cultura. Touros/RN conhecida por ser o lugar mais próximo da África, a esquina do Brasil, é também um município de pescadores, muito unidos, onde todos os dias é jogada uma rede de pesca e o pescado é distribuído gratuitamente para a população, para que ninguém na cidade passe fome. Meu avô, teve a oportunidade de trabalhar 6 anos aqui como juiz, mas seus filhos não poderiam estudar no município pois não havia ensino médio. À época, sugeriram que meu avô matriculasse meus tios e minha mãe no município mais próximo, com os filhos das demais autoridades, mas, ele disse que não moraria ali se os filhos dele não pudessem estudar com os filhos dos demais pescadores. Então, meu avô tomou a iniciativa de criar o Ginásio Comercial de Touros, para que a cidade prosperasse e todos pudessem ter educação de qualidade. Ensinou e capacitou várias pessoas para essa empreitada, com a fundamental ajuda de minha avó. Dessa forma, com o auxilio do Prefeito da época mas, sem nenhum vínculo ou interesse político, construiu o Ginásio, que atualmente possui seu nome, foi diretor e professor, além de juiz do municipio. Ontem, o Ginásio Orlando Flávio Junqueira Ayres completou 50 anos de existência, e o Diretor da escola Sr. Sérgio Justino, juntamente com o Prefeito Assis Pinheiro promoveram uma Belíssima festa de comemoração e homenagem aos meus avós. Nunca havia visto algo tão lindo e emocionante. Tão simbólico e significativo pra nossa família e para o Brasil, que necessita tanto da valorização da educação e da solidariedade. Em nome dos Junqueira Ayres agradeço imensamente a todos que colaboraram para esse evento, um agradecimento especial a Dione Nascimento que nos proporcionou uma recepção excelente.

Elisie Ayres (Neta de Dr Orlando Flávio Junqueira Ayres)

Outros registros da cerimônia de 50 anos do Junqueira Ayres

















quinta-feira, 1 de agosto de 2019

50 anos do Junqueira Ayres, conheça um pouco da história desta escola tourense


Bolo dos 50 anos do Junqueira Ayres

Cts tourense, Sérgio (diretor da escola) e Ângela (éx-secretária de Educação de Touros) 

Dione, Djalmira e Elisie Ayres


Acompanhada do filho Flávio Emanuel e da neta Elisie Ayres, chegou a cidade de Touros/RN, nesta terça-feira, 30, a ex-professora da Escola Municipal Dr. Orlando Flávio Junqueira Ayres, Djalmira Santiago. A visita especial deu-se em virtude da solenidade de comemoração aos 50 anos de fundação da escola, que aconteceu ontem 31/07/2019.  

A professora Djalmira, não perdeu tempo, e foi ao encontro de algumas amizades que construiu ao longo dos seis anos que residiu na cidade tourense, com o esposo, juiz de direito, aposentado Dr. Orlando.


Dr. Orlando com a esposa Djalmira

Texto: Dra. Maria Antônia Teixeira da Costa

No período de 16 a 19 de setembro de 2010, estive em Recife para participar de um Congresso Internacional e lá fui recebida na residência do casal Dona Djalmira Santiago Junqueira Ayres, ex-professora de Língua Portuguesa e de Dr. Orlando Flávio Junqueira Ayres, meu ex-professor de Inglês, e primeiro diretor do Ginásio Comercial de Touros. Reencontrei pessoas que fizeram parte da minha vida e fiquei muito feliz. Nesta oportunidade, solicitei a realização de uma entrevista e o prof. Orlando me concedeu na noite de 18 de setembro de 2010, o que me deixou bastante orgulhosa de poder conversar e reavivar as minhas lembranças de uma adolescente de 13 anos, por volta do ano de 1975, quando fui sua aluna e prestar uma homenagem ao precursor da idéia da criação de um ginásio na cidade de Touros/RN. Até esta época o maior nível de ensino era o primário, o qual com a Lei 5.692 de 1971 passou a ser chamado de 1º grau menor e a partir de 1996, com a Lei 9.394/96, corresponde aos primeiros anos do Ensino Fundamental.


Professor Orlando Flávio enquanto ministrava aula no Ginásio Comercial de Touros

A criação do Ginásio Comercial de Touros (Hoje é chamado de Escola Municipal de 1º e 2º graus Dr. Orlando Flávio Junqueira Ayres) foi possível com uma solicitação do Dr. Orlando ao prefeito da cidade de Touros em 1969, Senhor José Joaquim do Nascimento. Dr. Orlando disse-me na entrevista que morava em Porto Alegre, próximo a Pau dos Ferros na Região Oeste Potiguar e fez concurso para Juiz. Ele foi aprovado e logo nomeado para Touros em 1969, mas só iria se o então prefeito criasse o Ginásio.

Dia de inauguração do Ginásio Comercial de Touros

O Ginásio Comercial de Touros foi criado através da lei Municipal nº 86/69. Foi autorizado pela Portaria 91/1970 e reconhecido pela Portaria nº 245/82 da Secretaria de Educação e Cultura. O Ginásio teve seu primeiro ano de funcionamento em 1970, porém o prédio ainda estava em construção por isso funcionava no Grupo Escolar Coronel Antônio do Lago. Na Colônia dos Pescadores situada á Rua prefeito José Américo o professor Orlando ministrava aulas preparatória para o exame do Admissão, exigência para o ingresso no ginásio.

Mas quem é este homem que chegou em Touros e deu sua grande contribuição a educação do povo tourense? Onde ele nasceu? Quais eram os seus sonhos? Quais suas realizações? Do que eu recordo-me, naqueles anos, final dos anos de 1960, ele era o homem mais inteligente que eu havia conhecido. Ele falava inglês fluentemente, falava francês, era um homem educado e amava os pescadores. Se ele tinha defeitos? Eu não me lembro, sei apenas que todos nós temos as nossas dificuldades, todos estamos aprendendo nesta escola chamada vida. Erramos, aprendemos e assim vamos progredindo como espíritos imortais.


Ex-Prefeito José Joaquim do Nascimento - Fotos: cedidas

O Dr. Orlando Flávio Junqueira Ayres, nasceu em 26 de fevereiro de 1932, na cidade de Caetité, Estado da Bahia. Foi o 4º filho da família Junqueira Ayres. Filho de José Francisco, professor de Agricultura da Escola Normal de Caetité e de uma quituteira chamada Hilda Gomes Junqueira Ayres.

Com a mãe ele diz que aprendeu o olhar indicativo do sim e do não. Com o pai aprendeu a fé nos estudos, confiança em si mesmo e respeito aos mais velhos. Aprendeu uma das melhores coisas da vida. Por exemplo:que quando houvesse confusão na rua ele fosse para casa, e quase nunca atendeu a isto.

O seu pai, conforme a narrativa de Dr. Orlando fez concurso para a Escola de Agronomia e passou em primeiro lugar para a disciplina Agricultura e Genética. Ele era muito querido pelos alunos. Fazia muita experiência genética na escola de Agronomia. Era magrinho, pequeno, mas muito inteligente.

Professor Orlando iniciou o seu Primário aos 08 anos de idade,em Cruz das Almas no Estado da Bahia. Depois seu pai continuou morando em Cruz das Almas e os filhos foram terminar os estudos em Salvador. Foram morar da na casa da Avó em Salvador e estudaram no Ginásio no Arão Carneiro, era escola Primária onde terminou os estudos.

E depois foi para o Ginásio Carneiro Ribeiro. Carneiro Ribeiro era autor de “Serões Gramaticais”, obra resultado de grande polêmica de Carneiro Ribeiro com Rui Barbosa. São as palavras de Dr. Orlando sobre a cidade onde passou a infância: “Cruz das Almas tinha a Liberdade da vida, da gente como criança. Indo e voltando.A gente pegava passarinho, coelho e preá, criava sabiá.Gonçalves Dias tinha uma poesia Canção do Exílio que eu gostava muito. E por isso gostava das sabiás. O pessoal do tráfico de aves leva muitos sabiás para o exterior. Meu pai numa carta que escreveu para mamãe disse: Cruz das Almas é um céu aberto para as crianças. Nossa casa era aberta aos professores, vivia sempre cheia de professores, pois ele era mais velho e tinha muita experiência era moderado e prudente.”
Após falar o quanto gostava das sabiás, Dr Orlando recitou para mim a poesia de Gonçalves Dias, intitulado “ Canção do Exílio” . Segue um pequeno trecho da poesia:

“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
[...]
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá”

Após recitar a poesia, o Dr Orlando pergunta: “Será que ainda existe Sabiá? Brinquedos como os que brinquei na infância, quase não existem mais”. Diz ele.

Entre as brincadeiras de sua infância ele citou: Picula, chamada de pega-pega em Pernambuco; chicotinho queimado – o chicotinho era escondido e o menino que achasse danava chicotada em todo mundo; Guerra guerrô – Meninos correndo uns contra os outros, bairros da Liberdade contra bairro da Lapinha e Barbalho. A brincadeira ia até 10 horas da noite. E não podia chegar com a roupa rasgada ou o botão caído, que o castigo de sua mãe era que consertasse o que foi estragado.

Na pré – adolescência, ele nos contou que gostava de brincar de anel. “A moça que a gente queria namorar largava o anel na mão dela”, falou-me ele com um sorriso no rosto.

Outra coisa que marcou a sua vida foi que dos 16 para os 17 anos resolveu com seus colegas construir um barco azul, vermelho e branco. O barco tinha o nome de “Argonauta”. A vela era feita com lençóis tirados da sua casa.

Ladeira da montanha. Dividia a cidade alta da cidade baixa. Ladeira do inferno . Desceram com o barco. Passaram por um pescador antigo. Perguntou o velho pescador: “Meninos para onde vão com esse barco. Cuidado com as rotas do navio”

Eram três os meninos: Bau, Nozinha, Clóvis e Drorlando. O Barco foi para o alto mar.

Diz Dr Orlando: “Navegamos até adormecermos sob o sol quentinho. Quando acordamos foi ao lado de um navio gigantesco. Socorro, socorro!. Quando o navio passou bem perto, pensávamos que ia bater na gente. O barco virou e os quatro foram para o mar. Jogaram cordas e boias e resgataram os quatro.

O povo do navio não era brasileiro e pelo que ele entendeu deram um carão nos meninos. Telefonaram para o Juizado de menor. Os parentes dos seus colegas foram buscá-los e ele se não fosse seu tio que era professor de Música da Universidade teria ficado por lá. Quando ele chegou para lhe pegar seu tio disse: “que maluquice é essa cabo? Como lhe chamavam e ainda hoje assim o chamam, na Bahia.

O Barco foi construído no quintal da casa da avó de Dr. Orlando, numa casinha de zinco. “Meu tio disse, eu vou chamar sua mãe, que isso é muito grave e você não obedece a mamãe, minha vó era mãe dele. Mamãe chegou e disse que se eu não obedecesse ela ia me levar de volta para o interior para plantar cana, algodão. Eu prometi que não iria mais fazer isso. Eu tinha 16 ou 17 anos.(fala do Dr. Orlando).

O Dr. Orlando Flávio Junqueira Ayres teve cinco irmãos: Dulce Maria Junqueira Ayres Aires Totó, que era o apelido de Carlos Mariano; Gipson José, Fiscal Agrícola do Banco do Brasil; Newton Emanuel, funcionário do fomento agrícola do Ministério da Agricultura; Edmundo Estácio – trabalhava como Técnico em Laticínios;

Contou-me outro caso engraçado que aconteceu quando morava em Cruz das Almas. Sua mãe não gostava que ele fosse dormir fora de casa. Uns amigos lhe chamaram e ele não sabia que ficava dois quilômetros de distância de sua casa. Cada um contando histórias, o tempo foi passando, deu 11 horas da noite e ele não foi para casa. “Cabo não vá para casa que é perigoso”. Disse-lhe um colega. Ele respondeu: “Eu disse: eu vou, se eu não chegar em casa vou ter castigo de mamãe”. E ele ficou na cancela esperando alguém para que ele pudesse acompanhar. Até que enfim veio um homem montado a cavalo. E ele foi devagarzinho atrás deste homem montado a cavalo para que o homem não o visse. Narra Dr. Orlando: “Os meninos quando eu falei que iria embora disserem que a alma de um bandido estava feito um urubu gigante. E quando as pessoas passavam lá embaixo o urubu agarrava. E eu acompanhando a certa distância. Quando embaixo de onde o tal urubu ficava eu vi aquele vôo, eu danei uma carreira e a coisa veio correndo atrás de mim. Quando eu ouvi, cabo, cabo, sou eu. Eu pensei: e a alma sabe o meu nome. Era um empregado lá de casa e disse que meu pai havia mandado me pegar”

Neste período ele cita que andava no meio dos valentões e queria ser um deles, com uso de faca, cacumbu (faca pequena), jogava capoeira e lutava capoeira e era bom. Ele relata que tem uma música de capoeira feita por ele sobre, que diz assim:

“Digungar, digunguer , capoeira é prá valer (repete duas vezes)
Perto aqui da cidade,
Eu sou lá da liberdade, homem de vontade
digungar, digunguer , capoeira é prá valer (repete duas vezes)
Berimbau na sete cordas
E cachaça lá em Brotas
O meu nome é vida torta.

Essa música intitulada Digungá Digunguê, é em homenagem a um dos homens que dançava capoeira, chamado vulgarmente de Vida Torta”

Dr. Orlando Flávio Junqueira Ayres terminou o ginásio e o clássico aos 18 anos no Carneiro Ribeiro. Todos os irmãos já estudavam na Faculdade. Eles eram mais velhos que ele. O seu pai queria que ele fizesse Agronomia, porém ele criou coragem e disse ao pai dele que não iria fazer e ele lhe perguntou:“E você quer fazer o quê?

Tinha o curso de Direito em Salvador, mas o de Recife era muito famoso e ele queria fazer lá. Fez o vestibular para o curso de Direito em Recife, que hoje é Faculdade de Direito. Pegou o Navio Itaguatiara – empresa. O pai não soube que tinha ido para Recife e com um dinheiro que o pai havia lhe dado e ele guardou, pagou suas necessidades básicas. Morou aos 22 anos de idade na Pensão na Rua dos Prazeres no Bairro Boa Vista, em Recife. Foi nesta rua onde conheceu Djalmira Santiago.

Em Recife na Faculdade de Direito foram seus professores: Luiz Pinto Ferreira; Claudio Souto; Claudio Germano. Eram três turmas: manhã, tarde e noite. Era o ano de 1954. As exigências eram grandes, se não tirasse 7,0 ficava em recuperação e as exigências aumentavam. Narra Dr. Orlando: “Então formamos uma turma boa, uma das melhores que a Faculdade teve. Eu era um aluno da esquerda contra os alunos de direita. Sempre fui de esquerda. E o presidente da República era João Goulart e o governador era Arraes. Na época reinava um regime que culminou na Revolução de 1964”.

A maioria do pessoal da esquerda era de engenharia e medicina. Marco Marciel era seu amigo da Faculdade, mas estava do outro lado. Era seu adversário político. Dom Elder era proibido de falar. “ser da esquerda era o mesmo que ser comunista.“Eu dizia: eu não tenho nada a proteger, não tenho propriedade então eu sou comunista” (Fala do Dr. Orlando) Tinha tendência política, porém desistiu devido ao movimento militar.

Casou em 1960 com Djalmira. Casaram quando ele era estudante ainda. Com a permissão de toda a faculdade. E diz que estava sem dinheiro, não podia pedir mais dinheiro ao seu pai. Dona Djalmira para ele era a moça bonita mais bonita que havia conhecido. Fez Concurso para promotor aos 29 anos de idade, em 1961.

Trabalhava em Porto Alegre, perto de Pau dos Ferros/RN como promotor e era professor de Educação Física no Ginásio. Em 1964 foi acusado de tentar fazer a reforma agrária, de fazer discurso subversivo em Praça em Pau dos Ferros. Respondeu inquérito policial militar.

Como sabemos em 1964 é instalado no Brasil a Ditadura Militar, a qual dura 20 anos quando dezenas de homens e mulheres brasileiros foram perseguidos, presos, mortos, reprimidos em seus ideais. Quem pensasse diferente do regime sofria todo tipo de represália. Em 1969 faz concurso para Juiz sendo nomeado para Touros e é onde começa toda uma história de dedicação a esta cidade. Lá viveu com sua esposa e filhos: Ana Patrícia Junqueira Ayres; Sofia Junqueira Ayres, Valéria Junqueira Ayres, Flávio Emanuel Junqueira Ayres, Peônia Junqueira Ayres e Constância Flavia Junqueira Ayres.

Em Touros ele organizava festividades na cidade, como as quadrilhas juninas, o carnaval; o coral do Ginásio, que participava em festivais, o desfile 7 de Setembro, com peças teatrais com a ajuda de D. Djalmira.

Ele era professor e gostava de ser professor, e era muito respeitado; segundo Luiz Penha, em suas palavras na rede, por iniciativa do Juiz de Direito da Comarca de Touros, Dr. Orlando Flávio Junqueira Ayres, foi criada, durante a administração do Prefeito José Joaquim do Nascimento, a bandeira do nosso Município, no dia 23 de março de 1970.

Dia de inauguração do Ginásio Comercial de Touros

A família permaneceu em Touros até o ano de 1974, quando D. Djalmira que era funcionária Pública do Estado de Pernambuco, precisou retomar suas funções no cargo que exercia no Estado. A partir de então os filhos de Dr. Orlando, passaram a morar em Recife, vindo o mesmo se juntar à família definitivamente após sua aposentadoria. Até então Dr. Orlando viajava à Recife toda semana, nos finais de semana para ficar com a família.

Hoje o Prof. Orlando Flávio Junqueira Ayres ainda gosta muito de Touros e de seus pescadores, tanto que publicou recentemente um livro, baseado em algumas estórias extraídas das conversas com esses pescadores, intitulado “Academia do Poste” dedicado aos pescadores de Touros.

Dr. Orlando pensava diferente. Ele era um homem que queria uma sociedade mais justa, mais igual e lutou por seu ideal. Deu inúmeras contribuições ao povo tourense deixando-nos um grande legado educacional, portanto merece a nossa gratidão.

Dr Orlando vive em Recife com sua família, está com 87 anos de idade. Já escreveu vários livros "Academia do Poste", Kafka para jovens", "O Calabetão". GRATIDÃO!

Fonte: touros1501.net