segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Novo terremoto atinge Recôncavo da Bahia

 

Sismograma da estação sismográfica localizada em Itapé/BA (30/08/2020)
(Foto: Sismos do Nordeste)

Um novo terremoto, com magnitude de 3,5 na escala, foi registrado em algumas cidades do Recôncavo Baiano na madrugada desta segunda-feira (31). Os tremores foram sentidos principalmente em Amargosa, Brejões e Elísio Medrado.

Moradores já tinham feito relatos sobre o fenômeno na manhã e na noite de domingo (30). Ainda não há detalhes sobre magnitude do novo tremor. Em Amargosa, a prefeitura identificou rachaduras em pelo menos seis casas e na igreja da cidade. Os impactos dos terremotos foram sentidos principalmente na zona rural do município.

O secretário de Infraestrutura de Amargosa, Aedson Borges, conta que os danos foram, principalmente, no distrito de Corta Mão, que é uma área de zona rural que fica entre as cidades de Amargosa e São Miguel das Matas.

Fonte: Assis Silva

sábado, 29 de agosto de 2020

O blog de João Nelo está de volta, após 30 dias fora dor ar

O blog de João Nelo foi lançando em 14 de agosto de 2014, há 6 anos no ar precisou ficar ausente por alguns dias, motivo: perseguições políticas de pessoas que vivem copiando nosso trabalho e ao mesmo tempo nos perseguindo, criando situações para nos prejudicar, porém, com muito esmero conseguimos colocá-lo de volta no ar, após 30 dias. Agradecemos a todos pela paciência e confiança em nosso trabalho, continuaremos de forma responsável com nossas postagens, valorizando principalmente o que é nosso (nossa história, nossa cultura, nosso povo e muito mais).

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Inscrições para o Fies começam nesta terça-feira (28)


Começam nesta terça-feira (28) e seguem até 31 de julho, pelo site as inscrições no processo seletivo do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), para o 2º semestre de 2020. O resultado será divulgado no dia 4 de agosto. Pelo cronograma, o período para complementação da inscrição dos candidatos pré-selecionados será do dia 4 até 6 de agosto.  
Inicialmente, as inscrições no programa eram esperadas para a semana passada, mas foram adiadas depois que o Ministério da Educação (MEC) identificou inconsistências no processamento da distribuição das vagas ofertadas pelas instituições de ensino superior. Segundo o MEC, a medida foi importante para assegurar “a lisura e a transparência do processo seletivo”.

Prefeituras no RN abrem 499 vagas em concursos públicos

As inscrições para os concursos públicos das Prefeituras de Monte Alegre, Brejinho, Lagoa Salgada e Vera Cruz, além da Prefeitura e Câmara Municipal de São José de Mipibu seguem abertas até o dia 6 de agosto. Os certames têm o objetivo de preencher 499 vagas em todos os níveis de escolaridade.
No edital, a Prefeitura de Brejinho disponibiliza 82 vagas; Lagoa Salgada tem 101 oportunidades; Monte Alegre com 186; Vera Cruz com 71; enquanto São José de Mipibu terá 37 vagas para a Prefeitura e 22 para a Câmara Municipal. Os salários variam R$ 1.045 e R$ 2.803,86.
As inscrições custam R$ 80 para nível Fundamental; R$ 100 para nível Médio e R$ 120 para nível Superior. As provas estão agendadas para o dia 30 de agosto, dependendo da evolução do quadro da pandemia.
Tribuna do Norte

15 milhões de brasileiros podem virar o ano vacinados, diz Ministério da Saúde

Vacina contra coronavírus: Fiocruz aposta em campanha de vacinação ...
Com os avanços nas pesquisas da vacina contra a Covid-19, o Ministério da Saúde espera que até dezembro deste ano os medicamentos sejam aprovados para que o primeiro lote da vacina de Oxford seja aplicado na população.
O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Correia de Medeiros, explica que o Brasil deve receber um primeiro lote de vacinas – total de 15,2 milhões de doses – em dezembro e que, caso os testes e estudos sobre a eficácia do medicamento sejam aprovados até lá, o processo de vacinação poderá se iniciar.
“Fechamos acordo para o envio de 100 milhões de doses da vacina em três lotes. O número se baseia na campanha de vacinação contra a influenza no Brasil. O primeiro lote deve chegar na primeira quinzena de dezembro, com 15,2 milhões de doses, e o segundo terá o mesmo número de aplicações e chega entre dezembro em janeiro. O terceiro lote, de 70 milhões de doses chega entre março e abril. Se todos os estudos derem certo, nós iremos iniciar a campanha de vacinação em dezembro.”
Fonte: Blog de Assis Silva

terça-feira, 28 de julho de 2020

Jovem tourense inicia campanha nas redes sociais para compra de cadeira de rodas



Uma campanha nas redes sociais busca arrecadar dinheiro para comprar uma cadeira de rodas para Emanuel Messias Correia da Silva, 23 anos. O jovem estudante é cadeirante desde que nasceu devida uma má formação durante a gestação. Ele reside em Natal com o pai e precisa da cadeira para realizar suas atividades diárias. O equipamento custa R$ 5 mil.
“Preciso da cadeira pelo fato de só ter uma. Por vezes, penso em fazer uma manutenção na atual cadeira e não posso porque só tenho ela, não posso ficar parado, tenho meus afazeres diários; e também pela locomoção, essa aqui é feita de um material mais pesado”, declarou Emanuel.
A nova cadeira possui especificidades como fechadura em X, baixo peso, desmonte fácil e rodas de série, “o que vai me proporcionar mais conforto e mobilidade no dia a dia”, disse.
Ele conta ainda que seus amigos tem se mobilizado para divulgar a campanha. “Assim que falei que queria fazer uma campanha meus amigos logo me deram força e apoiaram. Foi quando tive a ideia de fazer um vídeo explicando como tudo seria e tenho ganhado vários seguidores por conta dos compartilhamentos dos meus amigos”, finalizou ele.
As doações estão sendo arrecadadas através de uma vaquinha online que já conta com R$ 570 (até o momento) e de depósitos em sua conta pessoal. Para doar acesse este link. Outras informações através do telefone: (84) 99454-0250.
Dados bancários para doação:

• Emanuel Messias Correia da Silva
• Caixa Econômica Federal
• Agência: 2044
• Conta: 92847-7
• Operação: 013


Fonte: Agora RN

sábado, 25 de julho de 2020

Valorizando o que é nosso: Batista Tavares (Preá)


Nessa foto poderíamos resumir uma parte da vida ou até mesmo a vida inteira de nosso personagem. É uma foto que expressa o estado puro em que até hoje ele se encontra. A vida passa por nós, o tempo implacável não permite que voltemos um segundo sequer nessa louca travessia em que somos obrigados a fazer, é inútil pedir segunda chance ao tempo que nos consome a cada dia.

Algumas pessoas correm loucamente contra esse tempo infinito e veloz com o objetivo de querer domina-lo e fazê-lo obedecer a seus caprichos e suas vontades paliativas visto que nada podemos fazer diante do invencível e cruel tempo que reduz tudo ao nada. Só resta a maioria de nós obedecer algumas regras estabelecidas pela sociedade hipócrita e aguardar seu tempo chegar.

Ter em mente que enquanto estamos aqui reféns de um tempo juiz de todos nós é necessário fazer aquilo que a maioria consumista, capitalista e opressora determinou como o “certo”. Só que esqueceram a avisar ao nosso personagem que o “normal” seria seguir essas regras bem estabelecidas e com suas ambições e limites que já trazem em seus processos ridículos as leis que regem a vida das pessoas, que a sociedade hipócrita pressiona e aprisiona.

O nosso personagem não ostenta os valores materiais que tanto a sociedade nos cobra. Ele tem algo mais valioso a ostentar. A liberdade, é uma pessoa que as amarras da sociedade nunca tiveram poder sobre ele. O mundo que ele criou e vive é só dele, não deve nada, não tem de explicar nada, não espera nada, não critica nada. Pois em seu pequeno mundo ele tem um universo de possibilidades de ser feliz com aquilo que nunca lhe faltou, seu trabalho, amigos e a superação diária de preconceitos que se tornaram uma espécie de enfeite que ilustra seu lado folclórico e não tem mais efeito negativo.

O mundo dos outros passa veloz a sua volta, o transito, as conversas de rua, as intrigas mais banais, buzinas, gritos, som alto mas nada disse entra em seu mundo. Enquanto isso acontece você pode encontra-lo com as mãos sujas de graxa o rosto suado, sem camisa, um aspecto sério trabalhando com intensidade em mais um pneu que chegou a pouco para ser consertado.

Em seu mundo as vezes recluso há espaço para sua paixão flamenguista, há espaço para demonstrar sua habilidade no oficio que aprendeu do saudoso Grampão. Há espaço para uma espécie de solidão, é possível vê-lo  nas noites em que a brisa é mais suave a noite com sua postura característica mãos nos bolso e olhar fixo para o mar como se buscasse respostas para colocar no seu mundo.

Indiferente ao tempo que a sociedade impõe, seus gestos, palavras, conversas e escolhas são particularidades dele e só ele e seu mundo podem conversar sozinhos. Uma vida de dificuldades, uma busca pela fé. Honestidade, caráter, não há malícia, o que há é um talento naquilo que ele escolheu para se dedicar e fazer com garra e dignidade.

Desportista, goleiro que é um símbolo desta posição em nossa cidade. Chegou a disputar campeonatos, defendeu algumas equipes da nossa cidade, mas foi no São Paulo que fez história e que honrou a camisa desse clube que hoje faz falta em nosso futebol amador. Assim como escolheu seu mundo, escolheu sua posição no campo a mais injustiçada, mas como nunca esperou o glamour da fama no esporte, na profissão e na vida foi e é um vencedor.

Uma das figuras que ilustram o cenário popular de Touros em precisar da “riqueza” que a sociedade tanto deseja e tanto gasta seu tempo. O Seu tempo já está determinado pelos seus gestos, seu coração, suas derrotas, suas amarguras, os deboches sofridos, mas as alegrias que seu jeito de ser proporcionaram ao nosso povo em diversos momentos de sua vida, nas peladas, nos planos simples, na alegria de viver, na liberdade que tem de ser o que quiser ser sem se importar com nada ai reside sua riqueza. 

Uma riqueza medida por sua fama. Impossível não notá-lo, impossível não saber seu apelido. Quem é de Touros não pode ignora-lo ele é parte de nossa história contemporânea pelo ser que se tornou vivendo fora daquilo que chamamos de comum. Pelo trabalho diário, pelo atleta histórico que foi, pelas batalhas diárias que tem de passar diante de tantos desafios. Principalmente os desafios sociais que nossa triste sociedade insiste em não valorizar, em não respeitar em não ver.

Educado, trabalhador, talentoso, da paz, religioso e acima de tudo um batalhador não só no seu trabalho diário mas principalmente vencendo todo dia todo tipo de chacota e preconceito que ele aprendeu como bom atleta que foi a levar na esportiva. Por tudo isso Batista Tavares (Preá) Touros vem lhe dizer muito obrigado.

Autor: Flávio Santos

Valorizando o que é nosso: Zélia Rosa do Nascimento


“Olha o pãaaaaoooo”, durante muitos anos no início das manhãs e finais de tarde na cidade de Touros essa frase ecoou forte e chamativa. Como se fosse uma espécie de chamado que já tínhamos fixado no pensamento. Como se aquela voz tão familiar invadisse nosso cotidiano sem pedir licença sem bater na porta e tivesse o poder de fazer com que parássemos o que estávamos fazendo e fosse ao seu encontro.

O antigo balaio de pão, substituído pelo tradicional carrinho com uma inovação a buzina de lado que fazia a festa da criançada na esperança que sua condutora desse a chance de tocar nessa buzina. Aquele carrinho percorreu nossas ruas, nossas vidas e nossa história lentamente, atravessando todos os tipos de dificuldades até sua dona dizer: é chegada a hora de parar pois tudo está mudado, mas enquanto pude e minhas forças ajudaram carrinho de pão eu te conduzi e tu me sustentantes a mim e a minha família.

A essa guerreira que conduziu esse tão famoso carrinho de pão carregava bem mais do que uma voz poderosa e um manejo para negociar com seus conterrâneos. Dentro do carrinho de pão que ela com sacrifício empurrava tinham seus sonhos, tinha o pão de cada dia não só de nossa comunidade mas de sua família, tinha a garra e o suor de uma mulher que foi pai, mãe e que com sua luta e seu pioneirismo mostrou como se faz para driblar as dificuldades sejam elas quais forem.

Aos primeiros raios de sol do novo dia aquela pessoa e sua personalidade atraia as pessoas com sua voz. Muitos ainda dormiam quando ela já visitava as ruas de nossa cidade, antes dos filhos irem para a escola, antes de saírem para o trabalho, antes mesmo de pensarem em problemas o grito interrompia qualquer pensamento. “Corre lá vai o carro do pão” e ali podíamos ver o clientes fiéis colocando os primeiros diálogos do dia rodeando o carrinho, comprando “fiado” pois ela sempre teve a confiança de todos e confiou em todos.

Muitas vezes podia-se perder o horário do carrinho passar e correr a outra rua para alcançá-lo e ouvir “o pão de coco acabou-se só de tarde agora passei agorinha lá na tua rua” e era o jeito se conformar pois a procura e freguesia sempre foi grande.

Acabando-se o dia, tendo como cenário os tourenses se preparando para o jantar e um pôr do sol por companhia ela fazia os mesmo trajetos incansavelmente em sua labuta cotidiana, agora os fatos do dia já eram outros até a escolha do pão era outro “pão francês é melhor com sopa” e assim lá se ia mais um dia na vida dessa mulher forte.

Seu empreendimento sempre se deu para sustento de seu lar, sem almejar crescimento material, Touros era ainda aquela cidade aconchegante que parecia ser uma só família, e seu trabalho era como um oficio sagrado. Até compromissos eram lembrados ou marcados de acordo com sua passagem pelas ruas. “O carro do pão já passou já ta é tarde ou o carro de pão já ta ali e fulano ainda não chegou, depois que comprar o pão eu vou...” e assim se construíam uma personagem que diria inesquecível de nossa história recente.

Com chuva, sol, frio, calor, em épocas de inflação, crises e empresários donos de padaria investindo mais e mais o carrinho caminhou, levando além de todos os sonhos da sua dona uma trajetória de vida que superou muitas barreiras para se afirmar como um alguém que merece ter seus méritos lembrados por tudo e por todos. Mulher, pioneira em um trabalho até então desempenhado por homens, suor, lágrimas e sacrifício de uma vida inteira para dar sempre o melhor em prol de sua família, esquecendo-se do tempo e de sua própria vida que sem pensar muito doou para o seu trabalho.

Há quem fique muito feliz em acordar com o canto dos pássaros, com o som das ondas do mar, mas tenho certeza que teve gente que acordou muitas e muitas vezes feliz em ouvir seu grito pois tinha certeza que o pão de cada dia estava a sua porta. E quantas vezes garotos como eu se sentiram importantes pelo pai ou a mãe dar como missão comprar o pão da manhã, ganhar o troco, poder escolher os pães que você mais gostava essa realidade só era possível devido ao trabalho desempenhado por essa pessoa que hoje ainda guarda em seu olhar aquela profundidade e inquietação de quem passou a vida vivenciado e sendo parte dos dias dos tourenses.

Hoje não podemos mais ouvir seu grito na rua um grito que se ecoasse outra vez iria mexer no coração de muita gente tenho certeza que iriam se perguntar o que está acontecendo? É ela que ta com o carrinho de novo vendendo pão? Mataria saudade dos ouvidos de parte da população que viveu essa época.

Por tudo que você é por toda história que você representa, como mãe, mulher, batalhadora Zélia Rosa do Nascimento (Zélia do pão), Touros vem lhe dizer muito obrigado.

Autor: Flávio Santos

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Valorizando o que é nosso: Nonato


Deus o dotou com a fineza de um rei, naquilo que ele magistralmente fazia. Acredito que ele seja o responsável por ter invertido a lógica dos jogadores de sua posição. E dentro de campo, fez os adversários lhe respeitarem e se renderem ao seu talento. 

Foi aquela mistura de Luís Pereira e Mauro Galvão, somente ele fazia as ameaças do time adversário parecerem uma jogada em vão devido a sua maestria em desarmar e sair jogando com a classe, a categoria, a visão de jogo, o tempo de bola e uma segurança que fazia a torcida sempre respirar aliviada quando a bola chegava aos seus pés.

Conquistou a liderança de todas as equipes por onde passou devido seu estilo de jogo do qual Touros jamais esqueceu ou encontrou outro parecido nesta posição. Aliás uma posição ingrata, mas que encontrou nele alguém que dominou todas as artimanhas, injustiças, responsabilidades e atributos que só os diferenciados recebem dos deuses do futebol. 

Era a segurança mais potente que sua equipe precisava e ele sempre correspondeu da forma mais exata possível, foi idolatrado com toda justiça, foi o símbolo de uma era, ainda se mantém ao longo dos anos como o maior nome da posição, fez seu fino futebol alcançar a façanha de nós termos tido em nossa história futebolística um zagueiro que sem sobra de duvidas podíamos chamar de craque.

Ele acabou com o mito que todos nós temos de chamar de craque quem joga do meio para frente. Ele dominou sua posição como nenhum outro em nossa história. Tudo isso nos velhos campos de barro, areia ou mesmo piçarro onde sua técnica superava todos esses obstáculos.

Esse craque acabou com a imagem daquele zagueiro especialista em um tipo de lance: aquele bico para fora do campo depois de desarmar um adversário. E a torcida comemorava como se fosse um gol. 

Mal sabiam os torcedores que os zagueiros faziam isso só porque se ele tentar um passe, a chance de errar é enorme. Uma vez que desarmou o adversário, o zagueiro só queria se livrar daquele estranho objeto esférico e voltar à caça de tornozelos, situação em que fica mais confortável.

Mas com ele essa dinâmica era coisa ultrapassada e sem efetividade afinal ele tinha o dom nato de perceber que o zagueiro era o anjo da guarda da defesa. E para ser um bom zagueiro não poderia ser muito sentimental, tinha que ser sutil e elegante, ter sangue frio, acreditar em si e ser leal.

Quem vive o futebol há de concordar em partes que essa posição sempre foi sinônimo de dureza, falta de habilidade e cheia de preconceitos. Nenhum torcedor gosta quando a bola está rolando entre os pés do zagueiro de seu time. Mas com ele isso foi elevado a aulas e mais aulas de como ser craque e ídolo jogando nessa parte do campo. Não é regra, mas a maioria dos zagueiros odeiam quando eles sobem para a área e a bola sobra nos seus pés. Ter a redonda nos pés, para um zagueiro, pelo menos para alguns era um tormento. Sem saber o que fazer, é como jogar futebol de terno. Por isso, ele trata de se livrar logo da bola. De preferência fazendo sinal de crucifixo.

Mas nos pés dele isso nunca aconteceu, pois, a bola era tratada como merece. Durante todos os anos que defendeu a mística equipe do Fluminense de Touros ou mesmo em outras equipes, seu nome sempre foi honrado, sua história foi escrita da mesma forma que Baiaca escreveu a dele e eu já citei em outra postagem. A grande diferença é que nosso personagem jogava em uma parte do campo onde pouquíssimos se destacam, onde esta parte esta reservada aos menos habilidosos, onde a torcidas só os veem quando cometem erros, quando a derrota é o resultado final. 

E foi justamente aí que Nonato provou o contrário, transformando medo da torcida em segurança, matando no peito dentro da grande área durante um ataque do adversário, buscando saídas inteligentes e com a visão dos grandes camisas dez, com a tranquilidade de quem faz uma pelada na beira da praia.

Touros teve seu zagueiro craque, e provou sua versatilidade e sua genialidade também no futsal por muitos anos com as mesmas características que o transformaram no maior da posição da história do futebol amador no nosso município. 

Com certeza ninguém pode comentar sobre a defesa de um time amador em todo nosso município e região sem citar seu nome nem seu lugar de melhor dos melhores. Jogaria sem nenhuma dificuldade em qualquer equipe profissional do Brasil sem discutir muito sobre isso pois quem o viu jogar sua importância e unanimidade permanecem intactas. Em relação aos outros parecia um profissional disfarçado de amador. Ele representa todos os zagueiros que Touros já teve uma espécie de rei e o dono da área naquelas guerras maravilhosas de noventa minutos

Por provar que zagueiro também pode ser craque e por fazer as antigas e saudosas tardes de domingo inesquecíveis naquele velho campo de barro, Nonato Touros e o futebol amador vem lhe dizer muito obrigado, você foi e continua sendo o maior zagueiro que nós tivemos em todos os tempos.

Autor: Flávio Santos

Valorizando o que é nosso: Manoel Barbosa dos Santos


Ao tentar falar um pouco da atividade que essa pessoa escolheu como missão, me recorreu a lembrança do químico francês Lavoisier, quando falou “na natureza nada se perde nada se cria tudo se transforma”. E com essa pessoa essa frase se fez ação em nosso município a trinta e sete anos. Assim como também pensando em sua trajetória, hoje essa pessoa poderia sem constrangimento dizer a todos: reciclagem não é só no meio ambiente, mas também no ambiente do nosso ser. Algo que convido a todos nós tourenses a refletir ele nunca chegou a fazer essa afirmação, mas seu oficio fala por si só e nos alerta para algo que é a necessidade de valorizar cada vez mais nosso chão e principalmente as pessoas que dele cuidam.

Antes que nós pudéssemos pensar nas imensas responsabilidades que as questões ambientais e todas as suas variantes pudessem povoar as mentes dos tourenses. Nas escolas, nos debates políticos e a grande mídia começasse a levantar a bandeira da reutilização e destinação de tudo aqui que não servia mais ao nosso tão feroz consumo e muito deste consumo incentivado pela própria mídia capitalista, em nossa cidade alguém rompeu com as amarras sociais, enfrentou toda “ignorância” causada pela falta de informação de nosso povo e teve de aceitar, incorporar, adaptar, conviver com aquele que sabe que seria o maior de todos os desafios o preconceito marca que ele carrega até os dias de hoje.

O ano era 1983 e nosso personagem iniciava e dava projeção em nossa cidade a um trabalho que o mundo hoje tem como uma das bandeiras em todas conferencias sobre meio ambiente ao redor do mundo e temática obrigatória em cada estabelecimento de ensino em nosso país

Nossa cidade iniciava timidamente com a “expansão” muito acanhada até hoje. No seu comercio com a feira popular, com alguns estabelecimentos de compra e venda, com a atividade mais incisiva do mercado público, com a vocação que nunca chegou de ser um dos grandes polos turísticos do Estado.

Nesse ambiente surge essa figura, e é exatamente aí que está sua grandeza para o nosso município, no seu trabalho, na sua coragem, no seu pioneirismo n sua luta que continua até hoje e que a gente ainda não aprendeu, não tiramos muitas lições de seus exemplos. Ao contrário, promovemos durante anos um temporal de críticas ao seu trabalho, sua atividade por muito tempo foi motivo de chacota, seu meio de vida que parecia algo inusitado causava em nós alguma repulsa. Não por nossa culpa e sim pela falta de conhecimento e valorização dessa atividade que hoje é ensinada nas escolas.

Quantas vezes para criticar alguém, um colega, um irmão ou qualquer um que mesmo sem pretensão pegasse do meio da rua um papelão, um jornal velho, algo que alguém tinha jogado fora. Imediatamente chamava-nos a pessoa que fez isso pelo nome desta pessoa de forma pejorativa. Talvez querendo dizer que nos comparar-nos a suas atividades seu trabalho nos reduzia como seres humanos.

Ainda não aprendemos quase nada sobre reciclagem na prática, e ainda o criticamos mesmo sem querer, toda vez que somos responsáveis por jogar qualquer tipo de material reciclável no solo sagrado de Touros. Ainda não o vimos ao homem que inverteu a lógica e a dinâmica com a qual éramos acostumados ao perceber os amontoados daquilo que chamamos “lixo”, pelas nossas ruas e principalmente pelas nossas mentes.

O trabalho não parou, a idade não o parou, nossa produção demasiada de material reciclável não parou, vida em Touros não parou e uma mágoa também não acabou. 

“Sofri muito e ainda sofro, tudo que os meus filhos possuíam o povo dizia que era do lixo, na escola os coleguinhas sempre diziam a meus filhos netos, esse caderno, lápis, mochila , sandálias até suas roupas tudo vem do lixo que seu avô pega para você, isso sempre doeu muito em mim ” palavras dele para mim no ano de 2013.    

O homem de palavras fáceis, pele queimada, gestos mais lentos, cicatrizes nos braços, algumas quase fatais, causadas por ferimentos enquanto reciclava vidro, o olhar de conformismo e não de missão cumprida de alguém que fez da reciclagem sua meta e do preconceito uma força que o move através das décadas. 

Um pouco arredio, fruto de décadas de descaso provocado talvez pela sociedade em relação ao importante trabalho que nunca desistiu de fazer e hoje o mundo acordou e afira que a reciclagem é um dos únicos caminhos se quisermos tornar esse planeta suportável nas próximas décadas.

O homem que hoje anda mais esquecido que antes, lota caminhões com aquilo que jogamos fora, mas já foi com sacos nas costas, em carroças com animais. Criou sua família com o que achávamos indigno e hoje queremos ensinar aos nossos filhos que devemos reciclar, mas ele foi o primeiro em nossa terra.

Alguns da família seguem seus passos já que nós não aprendemos nada sobre cuidar de nosso solo e de reciclagem eles continuam fazendo o mesmo trabalho iniciado em 1983

Por todo trabalho que o senhor dedicou a nossa amada Touros, mesmo incompreendido lançou as sementes de que precisamos cuidar de nossa terra pois aquilo que chamamos lixo é meio de vida para muitos. Por mesmo sem querer ensinar que devemos nos reciclar sempre como ser humano e enxergar que todo trabalho é digno. Senhor Manoel Cândido (Manoel Barbosa dos Santos) Touros vem lhe dizer muito obrigado.

Autor: Flávio Santos