sábado, 16 de dezembro de 2017

Conjugando o verbo amar

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Cerca de 600 mil crianças/adolescentes são vítimas das várias formas de violência doméstica, por ano, no Brasil. Ou seja, 68 por hora e 1 por minuto. Esta é a conclusão a que chegou o Dr. Lauro Monteiro Filho, secretário executivo da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (ABRAPIA), ao fazer uma analogia da nossa realidade com os índices norte-americanos (www.abrapia.org.br).

O quadro é assustador. De acordo com os especialistas, o Brasil está entre os países em que o nível de violência contra crianças é considerado grave. Ao escrever sobre isso na edição on-line da revista Veja (15 de março de 2006), Mônica Weinberg cita os resultados de estudos conduzidos pela professora Maria Amélia Azevedo, coordenadora do Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), da Universidade de São Paulo.

A matéria ressalta que a violência contra a criança começa com os castigos físicos. "A cultura de bater em crianças está arraigada na sociedade brasileira'; afirma Maria Amélia Azevedo. Ela acredita que, entre outros fatores, a sociedade escravocrata contribuiu na popularização dos castigos corporais contra as crianças brasileiras. Cerca de 60 dos habitantes de nosso País afirmam que foram vítimas de castigos físicos na infância, desde surras leves até surras que causaram graves sequelas físicas.

Além de castigos físicos, há uma lista enorme de abusos hediondos, os quais são mencionados e denunciados, com muita clareza e coragem, pelos competentes colaboradores desta edição especial intitulada Quebrando o Silêncio, cujo tema central é: Criança - amada ou maltratada?

O conteúdo deste número reflete as preocupações de autoridades, médicos, psicólogos e educadores a respeito desse grave problema. O leitor, ao analisar os artigos e dados estatísticos, verá que "maltratar" é o verbo mais conjugado na sociedade moderna. Os fatos demonstram isso.

Contudo, existe luz no fim do túnel. A sociedade brasileira ainda pode contar com homens e mulheres que se incomodam com esse panorama sombrio que envergonha nossa nação. Graças a Deus, há pessoas engajadas na árdua missão de ensinar a conjugação do verbo AMAR. E seu método mais didático é o exemplo.

O amor tudo pode. Só o amor fará com que nossas crianças vivam sem medo. Só o amor é capaz de deter o dedo em riste, a mão prestes a dar um soco, as palavras duras, o olhar de desprezo, o espírito de dominação e a perversidade.

Embora uma gotinha num oceano de necessidades, o conteúdo desta revista tem o compromisso de ajudar as famílias de nosso País a conjugarem o verbo amar. Amar sem preconceito. Amar com um sorriso nos lábios. Amar com a mão no ombro das crianças que sofrem abusos.

Vamos começar agora?

Eu amo, você ama, nós amamos as crianças do Brasil.

Rubens S. Lessa é jornalista e teólogo.




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